O Dízimo, a lei, a graça e os modelos de serviço
- Cláudio Santos
- 18 de mar. de 2024
- 15 min de leitura
Atualizado: 1 de fev.
O dízimo não tem a ver com a Lei e a Graça, o dízimo tem a ver com o velho modelo de serviço onde o tabernáculo ou o "templo judaico" estava no foco espiritual e o novo modelo de serviço com "as pessoas" em foco, os "templos ambulantes".
É sobre "modelo de serviço" e não sobre as "alianças" .
As alianças divinas são as promessas perpétuas de Deus para com Israel ou com as nações. Já os modelos de serviços são a forma ou o modo como os filhos de Deus se movimentam na terra para a proclamação do reino eterno. Isso é realmente relevante compreender para que haja renovo espiritual no foco certo, diante de tantas informações e desinformações que a igreja vive nos dias de hoje. O dízimo era obrigatório, as ofertas eram voluntárias e, por isso, são mais importantes.
No modelo antigo de serviço, o povo de Israel se movimentava por várias burocracias, cerimônias e rituais religiosos exclusivamente dados por Deus àquela nação (Dt 4). Havia um templo, uma divindade, um modo de servir dentro do templo, e vários cargos religiosos para cumprir os rituais que foram designados por Deus exclusivamente à Israel (Dt. 4:5-8). A igreja não substituiu a nação de Israel.
Tudo o que se fazia ali era minuciosamente meticuloso, haviam leis e mandamentos para as práticas ritualísticas de um povo. Tudo mais se movia em torno do templo e dentro dele. Tudo deveria estar no seu devido lugar: sacerdotes, levitas, utensílios, animais, altar, piso, paredes, cortinas, vasos, etc.
Para manter tudo isso funcionando era necessário uma provisão de recursos através de uma prática ritualística religiosamente importante para aquele velho modelo de serviço sacerdotal e templário chamada de dizimar. Isso significava que havia um imposto legalmente bíblico de 10% da produtividade do povo para o sustento do serviço templário, a obrigação era atribuída ao povo judeu, porém esse ritual obrigatório não era mensal e, seu objetivo era suprir as necessidades do templo, dos turnos de sacerdotes e levitas, além de ajudar os pobres, viúvas e estrangeiros. Como veremos mais na frente, às vezes a provisão era sobre a produção no campo ou mais na frente, raramente em moedas.
Indevidamente usado, o capítulo 3 de Malaquias, tem sido utilizado para amedrontar a igreja, a qual passa a viver com medo de ser "amaldiçoada", caso não cumpra a regra da lei para suprir o modelo templário.
O dízimo dos dízimos
"25 Disse o Senhor a Moisés: 26 “Diz aos levitas que deem ao Senhor a décima parte dos dízimos que recebem; esse dízimo dos dízimos deverá ser apresentado ao Senhor perante o altar. 27-29 O Senhor considerará isso como a vossa oferta dos primeiros frutos, das primeiras colheitas de cereais e de vinho que lhe fazem, como se tivessem as vossas próprias terras. Este dízimo será selecionado entre o que de melhor receberam dos dízimos do povo, pois é a porção do Senhor, e será dada a Aarão, o sacerdote.
30 Será considerada como se viesse de terras vossas, dos vossos próprios lagares. 31 Aarão, seus filhos e famílias podem comer isso nas suas casas ou onde desejarem, porque é a compensação que recebem pelo serviço executado na tenda do encontro. 32 Vocês, os levitas, não serão tidos por culpados ao aceitarem os dízimos se deles derem também o dízimo aos sacerdotes. Mas tenham cuidado em não tratar esses donativos sagrados do povo de Israel como coisas vulgares, porque se assim acontecer, morrerão.” (Dt. 18:25-32).
A defesa teológica do dízimo judaico como migração espelhada para o modelo cristão é tão extrema que esquece que, além dos sacerdotes e suas famílias, os levitas recebiam os dízimos do povo e eram obrigados a entregar como primícias, o dízimo dos dízimos ao Senhor, a partir do "dízimo recebido", pois era uma alusão às fontes de suas produções, como se os levitas tivessem as suas próprias terras produtivas. Eles poderiam morrer caso errassem na seleção qualitativa desse dízimo (Nm 18:25).
Contudo, isso também é cortado dos ensinos dizimistas, quando deveriam ser ditos, ensinados e praticados, pois se a teologia dizimista prevê que o dízimo é "um princípio espiritual" o serviço levita também deveria ter a mesma conjectura espiritual, ou seja, "um princípio espiritual". Mas, você já viu um músico ou um diácono ou um voluntário oficial da igreja se sentirem assim, na obrigação de entregarem o dízimo dos dízimos e ao mesmo tempo correndo o risco de morte, caso errem na escolha das melhores "cédulas em espécie", comparando-se com o "princípio" de Números 18:32?
Não existe essa parte na teologia dizimista, ou seja, mesmo que não existam mais levitas, o salário ou o benefício atual dos considerados por eles "levitas" - (músicos, mas também, os voluntários, diáconos e demais voluntários que cuidam da estrutura predial e que oficiam voluntariamente e gentilmente nos cultos, para que assim, apresentem o dízimo dos dízimos. Mas, ao contrário da lei, existe a "obrigação" desses "levitas modernos" dizimarem também, sem receber o benefício da lei dada por Deus, que era desfrutar do dízimo com a sua família ou seja, nesta teologia moderna, apenas alguns voluntários escolhidos subjetivamente de maneira humana, ou seja, aleatória e fora das regras da lei, recebem seus salários na igreja e não todos os "levitas", uma confusão teológica que exclui qualquer parte da "lei" e do "princípio" ou "primícia".
Ao mesmo tempo essa teologia inclui somente o que for "conveniente" a respeito da lei ou dos princípios ou das primícias, excluindo o que não interessa, mesmo que se desobedeça à lei do dízimo, tão sutilmente empregadas em sermões atuais. É melhor desobedecer a maior parte da lei do que aplicá-la totalmente na igreja? Isso é bem confuso. Não é compreensível abraçar uma teologia que mantem apenas algumas coisas da forma que lhe atrai no modelo e no princípio do dízimo para se adequar a um modelo atual, mas que exclui a forma, o modelo e o princípio levítico. Não à toa essa teologia tem sido fortemente questionada por essa geração mais informada e de senso crítico mais apurado. Por isso, cada vez mais a tradição religiosa precisa se reexplicar e tentar convencer as suas práticas em benefício de suas crenças ou adotar as devidas reformas teológicas a respeito daquilo que hoje não mais se sustenta teologicamente.
O véu se rasgou
Mas, o véu se rasgou e aquele velho modelo de serviço judaico deixou de fazer sentido a partir do renovo espiritual e da mudança de modelo de serviço que deu Cristo para os filhos de Deus. O véu se rasgou, o templo se foi e com ele, o local fixo, os sacrifícios, os sacerdotes, os levitas, os utensílios, as cerimônias e seus rituais, as regras etc. Hoje, o "ambiente de glória" existente somos nós. Esse é o "santo ambiente" na Nova Aliança, os filhos de Deus e não mais o templo, nem o altar, nem o microfone, nem o púlpito. A Nova Aliança não é uma simples brincadeira! O sacrifício de Jesus é muito sério e deve ser respeitado pelos cristãos. Ele é o "Dízimo dos Dízimos" para todos os sacerdotes de hoje, a igreja dele. O dízimo não nasceu para causar dores e sofrimentos em seus sacrifícios, mas para criar um ambiente de alegria e gratidão entre toda a nação de Israel, inclusive para os estrangeiros que por ali vivessem. Era como se fosse um presente numa grande festa. Uma alegria que sentimos quando recebemos o Presente dos presentes em nossas vidas, que Yeshua Hamashia.
No novo modelo de serviço, o templo são as pessoas redimidas (judeus e gentios). Jesus disse para a mulher samaritana em João 4:24, que já não era mais necessário o local fixo da adoração, pois a partir dali estava sendo mudada a forma de adorar. Agora a adoração seria dentro das pessoas. Elas seriam o tabernáculo, elas seriam o templo ambulante para a habitação e a morada do Altíssimo. Tudo mudou com Jesus! O assunto ali, não era sobre a nova aliança, mas sobre a nova forma de se mover no reino de Deus. A ênfase agora eram as pessoas e não mais o velho templo judaico. Estevão explicou também isso ao povo, mas o povo o matou apedrejado por causa da teimosia em continuar nos velhos ritos. (Atos 6 em diante). E isso por natureza óbvia também derruba a teologia de Malaquias 3:10. Jesus não construiu templo, e nem ordenou aos cristãos construírem templos. Tudo se fez novo! Quando se diz tudo, não é apenas sacrifícios de animais e circuncisão, nunca foi, pois quando se diz tudo, significa dízimo também. É uma ressignificação, uma metanoia.
Estevão explicou isso ao povo, mas os cristãos de hoje pulam essa parte da Bíblia. Porém, omitir a Bíblia aos fiéis não invalida a pregação de Estevão em Atos 7, nem o ensino de Jesus em João 4:24. A morte de Estevão e também de Jesus, porém, não invalida a mudança espiritual e ritualística em Israel. Os teimosos que permaneceram na velha tradição e ainda insistem em permanecer lá, no antigo modelo de servir, passaram a se tornar espiritualmente obsoletos e fora de tempo e contexto profético para Israel e para as nações, até que nasçam de novo para a compreensão do evangelho, e foi exatamente isso que aconteceu com a mulher samaritana e com vários outros judeus no tempo de Jesus dos apóstolos. Nascer de novo é compreender o evangelho e praticá-lo em sua essência como um novo modelo de fé e serviço. No evangelho, não existe mais o templo judaico para servir ou manter. Isso se foi. Os apóstolos não continuaram o velho modelo e, por isso não construíram réplicas de templos, nem sinagogas, nem cobraram dízimos do povo porque não eram mais necessários. Quando Jesus falou sobre o dízimo, em Mateus 23:23, ele estava falando diretamente com judeus (os fariseus) e não com os cristãos (os díscipulos).
"Sim, ai de vocês, mestres da lei e fariseus, fingidos! Pois dão o dízimo da última folha de hortelã do vosso quintal, mas esquecem as coisas importantes, como a justiça, a compaixão, a fé. Sim, devem dar o dízimo, mas não devem esquecer as coisas de maior monta."
(Mateus 23:23)
Mestres da lei e fariseus só poderiam ser judeus naquele cenário, não poderiam ser cristãos. Portanto, a teologia que usa essa fala de Jesus para tentar vilipendiar o contexto bíblico, afim de sustentar a teologia do seu dízimo, esta teologia está biblicamente equivocada. Jesus estava se referindo a uma prática judaica, dirigindo-se aos seus praticantes. E é importante enfatizar aqui também, que ele citou que havia assunto mais importante do que o dízimo para se preocupar. Portanto, o dízimo, que tanto os pastores e igrejas de hoje se dedicam a pregar obsessivamente, seja por vaidade ou por teimosia ou por medo de falirem, mas que a igreja primitiva sequer chegou a se dedicar a praticar, é um assunto secundário ou terciário para a edificação espiritual da igreja. Quando um tema secundário se torna mais importante do um tema primário, desconfie da obsessão religiosa. Um outro forte exemplo da obsessão religiosa é o tema sábado nas igrejas adventistas. No evangelho, para Jesus, os apóstolos e a igreja primitiva, o sábado foi um assunto não muito importante, e inclusive um assunto criticado de forma bem reflexiva por Jesus (Mt 12), ressignificando o verdadeiro valor do reino de Deus.
"Naquela ocasião, Jesus passou pelas lavouras de cereal no sábado. Seus discípulos estavam com fome e começaram a colher espigas para comê-las.
2 Os fariseus, vendo aquilo, lhe disseram: "Olha, os teus discípulos estão fazendo o que não é permitido no sábado".
3 Ele respondeu: "Vocês não leram o que fez Davi quando ele e seus companheiros estavam com fome?
4 Ele entrou na casa de Deus e, junto com os seus companheiros, comeu os pães da Presença, o que não lhes era permitido fazer, mas apenas aos sacerdotes.
5 Ou vocês não leram na Lei que, no sábado, os sacerdotes no templo profanam esse dia e, contudo, ficam sem culpa?
6 Eu digo a vocês que aqui está o que é maior do que o templo.
7 Se vocês soubessem o que significam estas palavras: 'Desejo misericórdia, não sacrifícios', não teriam condenado inocentes.
8 Pois o Filho do homem é Senhor do sábado". (Mt 12:1-7).
Jesus é Senhor do sábado. Ele é o Senhor do dízimo! Ele é o Senhor de tudo!
Melquisedeque não pediu o dízimo de Abraão
Há algumas teologias que tentam forçar a barra com a utilização de jargões religiosos como "princípios" ou "primícias", para tentar justificar o ritual obrigatório do dízimo para o templo, mas se não existe mais templo, não existe mais a necessidade de dízimo. A regra de trabalho mudou com o evangelho. A igreja não substituiu a nação de Israel (Rm 11:25). O dízimo era uma ordenança nacional, ou seja, para toda a nação israelita e não apenas para os religiosos. A teologia dos princípios e primícias alegam que Abraão dizimou a Melquisedeque, rei de Salém, em gênesis 14:17, quando do seu encontro com aquele rei, citado no livro de Hebreus como o próprio Cristo e, que por isso, o cristão deve fazer o mesmo, por ser uma lei (uma regra), mas essa teologia esquece que Melquisedeque não pediu o dízimo de Abraão, e, que Abraão apenas o deu por causa de sua cultura, usos e costumes que vinham de sua gente, talvez costumes de vida de seus pais, de sua comunidade e não uma lei ou princípio espiritual. A Bíblia não cita exatamente de onde veio essa ideia de 10% do presente de Abraão a Melquisedeque, mas deixa bem claro que não era uma lei espiritual ordenada. Foi um presente.
Outra coisa que essa teologia esquece é que Melquisedeque, antes da lei mosaica, mas que é considerado ali, o próprio Jesus, não determinou o ato do dizimo a Abraão, assim como Jesus da igreja primitiva (Melquisedeque) também não exigiu o dízimo de seus discípulos. Ele não tinha aonde repousar a cabeça (Mt. 8:20), imagine templo. Jesus não tinha templo para manter com dízimo judaico, não era mais necessário o templo. Mas, quando a igreja primitiva foi organizada era necessário mantê-la em seus serviços, e isso foi mantido sem dizímos na forma abraâmica (costume) ou mosaica (lei), apenas com ofertas livres, sem percentuais divinamente legalizados e obrigatórios por uma regra de lei dada por Deus aos hebreus.
Princípios são regras
Melquisedeque não estabeleceu o princípio do dízimo. Princípios são regras, e está claro ali naquele encontro de Abraão com Melquisedeque que não havia nenhuma regra espiritual sobre o dízimo. Princípios espirituais implicam em bênçãos espirituais ou sanções espirituais. Bênçãos para o caso de cumprir a regra e sanção para o caso de não cumprimento da regra, ou seja, do princípio. E isso não está estabelecido para Abraão, nem para Jacó, nem para nenhum outro patriarca, além de Moisés. A prova de que não havia nenhuma ordenança de obediência ou desobediência de Abraão, é que nada existe sobre isso na história bíblica, nem antes, nem depois do encontro de Abraão com Melquisedeque. Abraão não teve medo de morrer ao não entregar um presente, se houvesse esse medo, então haveria uma regra espiritual, um princípio, o que comprovadamente não havia. Ele não teve medo, ele teve alegria.
Mas, o princípio foi estabelecido para Moisés e por Moisés, mas esse princípio foi para quem viveu debaixo da Lei mosaica, que já passou. A prova de que o dízimo era uma regra da lei mosaica é que não se podia entregar 8% ou 9%, uma vez que isso estaria fora do mandamento. O mandamento, ou seja, a lei era 10%. Um percentual específico. E como era uma lei, era obrigatório praticá-lo. Quem o praticasse bem viveria bem, quem o praticasse mal , seria punido. Essa regra não existe no evangelho.
Então, como igreja, somos livres daquelas regras de Moisés sobre o dízimo e seus rituais rigorosamente descritos para aquele povo.
Sobre as primícias, a Bíblia ora se refere às primeiras colheitas do povo judeu para ofertar, ora ao próprio Jesus, a primícia de todos os que ressuscitarão (1 Tes. 4:13-18).
As igrejas usam indevidamente desses ensinos para não perderem renda mensal, em vez de viverem pela fé, como vivia a igreja primitiva. Não havia regra de dízimo na igreja primitiva porque ela vivia pela fé e pelo ensino correto da Palavra. Contudo, a igreja e os missionários viviam de ofertas livres. E essas ofertas livres também carregavam consigo um princípio espiritual.
As ofertas voluntárias
Mas, e quanto as ofertas? Ah, toda atividade voluntária que uma igreja ou uma pessoa realiza em favor da expansão do evangelho necessita de recurso financeiro para ser administrada, porém, nas pregações de Paulo a oferta nunca é comparada ao dízimo. Oferta é ato voluntário, não tem regra de valor ou coerção para a sua doação, já o antigo dízimo era uma obrigação, um imposto de 10%. Não era livre, havia uma determinação em percentual, uma regra, um mandamento, enquanto que as ofertas sempre foram livres, como a oferta da viúva, por exemplo. Ela superou o mandamento.
Paulo explicou muito bem sobre isso na igreja em Corinto, mas isso serve para a igreja de hoje também:
"¹ Na verdade, não preciso de escrever-vos acerca desta oferta para os crentes em Jerusalém
² Bem sei como estão prontos a ajudar; e foi com grande satisfação que disse aos crentes na Macedónia que desde o ano passado vocês estão prontos a enviar uma oferta. E o vosso entusiasmo tem estimulado muitos outros.
³ Mas envio estes irmãos, tal como já disse, para que se tenha a certeza daquilo que já afirmei a vosso respeito, que vocês estão prontos com a colecta feita.
⁴ Seria grande a nossa decepção, e vossa também certamente, se alguns destes irmãos macedónios viessem comigo e verificassem que afinal vocês nada tinham preparado, depois de tudo o que eu lhes disse
⁵ Por isso achei necessário que estes três irmãos fossem à minha frente e tudo preparassem de forma a estar já em mãos a contribuição que vocês prometeram, a fim de que se veja que é uma oferta voluntária e não como que forçada.
A oferta é maior que o antigo dízimo
O que é voluntário é superior ao que é coercitivo. A oferta, como o seu próprio nome diz, é voluntária. A generosidade está acima de uma obrigação. Por isso, a oferta é maior do que um simples 10%, porque ela não tem valor monetário, ela tem um valor espirituoso. Por isso, as ofertas estão acima de 10, 20, 30 50 ou 100%! A oferta é maior que o dízimo! Ela tem algo que Jesus enxerga melhor no coração das pessoas: o propósito, não o volume. E isso significa que a oferta é mais alta do que o dízimo. A doação sublima a coerção ou a vaidade. Em Mateus 23:23, Jesus reprova os fariseus porque estes se orgulhavam de seus dízimos porque pecavam com tal orgulho e agiam com hipocrisia diante do verdadeiro mandamento. Mas, em outro momento, o Mestre exalta a ação de uma viúva idosa e quebra o farisaismo inteiro de uma vez.
"Jesus olhou e viu os ricos colocando suas contribuições nas caixas de ofertas. 2 Viu também uma viúva pobre colocar duas pequeninas moedas de cobre e disse: afirmo que esta viúva pobre colocou mais do que todos os outros. 4. Todos esses deram o que lhes sobrava; mas ela, da sua pobreza, deu tudo o que possuía para viver". (Mc. 12:41)
O verdadeiro princípio espiritual
⁶ Lembrem-se disto: o que semeia pouco, pouco também ceifará; o que semeia em abundância, abundância também ceifará.
⁷ Cada um contribua segundo propôs no seu coração. Não como uma obrigação, porque Deus ama quem dá com alegria.
⁸ Deus pode bem abençoar-vos de tal maneira que tendo sempre, em tudo, aquilo que vos é preciso, possam ainda ajudar generosamente os outros.
¹⁰ Porque Deus, que dá a semente para o lavrador plantar, e depois o fruto para se alimentar, também vos dará os meios para que a vossa sementeira se multiplique em frutos de justiça.
¹¹ Sim, Deus vos dará muito para que possam dar muito, para que pela vossa liberalidade, posta em ação por nosso intermédio, sejam dados louvores de gratidão a Deus.
¹² São assim dois os bons resultados da vossa generosidade: contribuir para a satisfação das necessidades dos crentes em Jerusalém e suscitar louvores a Deus.
¹³ Vocês darão glória a Deus através das vossas ofertas generosas. Porque a vossa generosidade para com eles prova que vocês obedecem ao evangelho de Cristo.
¹⁴ E eles orarão por vocês com profunda afeição por causa da graça maravilhosa de Deus mostrada através de vocês.
¹⁵ Graças pois a Deus pela dádiva de seu Filho, e que não há palavras que possam descrever!
(2 Coríntios 9:1-8,10-15).
Observem claramente que Paulo não estava se referindo a algum percentual, ele não estava falando de dizimar. Ele estava se referindo a um princípio espiritual muito superior ao antigo dízimo judaico. Os princípios espirituais foram grafados e sublinhados para haver maior clareza ao leitor.
Paulo estava falando de generosidade e voluntariedade.
"Se alguém está ligado a Cristo transforma-se numa nova pessoa; as coisas antigas passaram; tudo nele se fez novo" (2 Coríntios 5:17).
E "as coisas antigas" também se referem aos velhos rituais antigos devem ser deixados para trás, pois assim que fizeram os apóstolos e todos os demais seguidores de Jesus!
A igreja primitiva nunca dizimou porque ela não vivia mais debaixo da lei e nem debaixo de algum costume parecido com a lei. Bem simples assim.
Conclusão
Nem o dízimo, nem as ofertas, nem o judaísmo, nem o cristianismo, nem o templo, nem o altar, nem a igreja, nem o conforto são as coisas mais importantes do reino de Deus. O mais importante do evangelho é o desapego às coisas materiais e místicas para valorizar o amor às pessoas, sobretudo àquelas almas mais necessitadas de tudo. Devemos lembrar que o evangelho vai além de nosso conforto. Muitas vezes queremos aparelhar as nossas igrejas com o maior conforto possível, porém, tudo somente para nós? Enquanto ao mesmo tempo, quando olhamos para o ambiente ao redor, vemos as almas pobres e sem o mínimo conforto, sem comida, sem sandálias nos pés e sem roupas para vestir, bem ao lado da igreja. Muitas vezes até mesmo dentre os nossos irmãos, muitos absolutamente necessitados em casa, enquanto a igreja se preocupa com luxos dentro de seus "templos".
Isso não confere com o evangelho iniciado pela igreja de referência bíblica para nós, a igreja primitiva, pois entre eles ninguém tinha necessidade de nada!
"E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações. E, perseverando unânimes todos os dias no templo, e partindo o pão em casa, comiam juntos com alegria e singeleza de coração" (Atos 2:42,46 - Bíblia Online - ACF)
Reflexão: qual o modelo de vida que você deseja viver no presente, modelo antigo ou modelo novo? Pra pensar né mesmo? Mas, aí vai uma dica bíblica: os discípulos escolheram o novo. Eles romperam com a velha tradição, a velha casa, o sinédrio judaico e seguiram a Jesus em novidade de vida. Vida nova, casa nova, morada nova do Aba Pai dentro do coração deles.
Até a próxima!
A Escola do Reino.




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