O Evangelho da Bíblia
- Cláudio Santos
- 13 de ago. de 2022
- 5 min de leitura
O reino de Deus, segundo o Apóstolo Paulo, não se resume apenas nas figuras do pastor e ovelha. Nada pessoal. Estou ensinando aqui, num campo universal e impessoal. O evangelho da Bíblia não é limitado a um padrão fechado de liturgia e, sim um padrão aberto de amor e serviço por todos os homens.
Dons foram dados aos homens, uns foram nomeados por Deus como apóstolos, a outros profetas, a outros evangelistas, a outros pastores e a outros mestres, mas nem todos receberam esses dons na igreja. Porém, todos somos discípulos de Jesus. Sobre isso, em Efésios 4, Paulo não está falando de ferramentas como microfones e púlpitos, paredes e telhados, música e pregação. Ele está se referindo aos dons. Os vocacionados exercem seus dons toda hora e em qualquer lugar e não apenas dentro do prédio da igreja.
Ele está falando de dons para nutrir espiritualmente o Corpo de Cristo. Como a igreja fará isso? No padrão de Cristo. Qual é o padrão de Cristo? Amor. Ele amava no templo, nas sinagogas, nas ruas, praças, vilas e casas, etc. É o et cetera que faz a diferença na Bíblia e, etc no latim significa "o restante das coisas semelhantes", o que significa que há outros itens importantes no reino de Deus. Não existe uma simplesmente um evangelho encaixotado ou limitado por muros. O evangelho da Bíblia é sem paredes. Muitas vezes Jesus usou de improviso para servir aos que a ele chegavam fora do templo judaico! Não existe lei, ou seja, padrão para a manifestação dos frutos do espírito, que são amor, alegria, paz, longanimidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio. (Gal.5:22).
O Evangelho está muito além do nosso padrão religioso e político. Jesus treinou e formou os seus discípulos em diferentes lugares por aproximadamente três anos e meio numa escola do reino única, intensiva e prática, o discipulado. Depois disso, no mínimo doze discípulos se tornaram apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e mestres. Um discipulado único com Jesus e depois o aperfeiçoamento contínuo através da atuação do Espírito Santo.
Eles mudaram de lugares e regiões, mas não precisaram procurar outro Jesus para serem "rebatizados" ou "rediscipulados" porque o discipulado sobre o evangelho é único e verdadeiro. Eles não duvidaram dos ensinamentos de Jesus. Os apóstolos cresciam e se aperfeiçoavam à medida em que dependiam unicamente do Espírito Santo. Por isso para os apóstolos, o exercício de seus dons não era sinal de superioridade, e sim de humildade, uma vez que o mestre deles era considerado como um desprezado, sem terra e sem teto na vida. Isso, sem dúvida não poderia ser motivo de orgulho na sociedade. Eles sabiam que jamais seriam promovidos pelos reinos terrenos, pelo contrário, seriam perseguidos, mas nem por isso se omitiram em nada naquilo que foram ordenados a se tornarem na proclamação do evangelho.
Os apóstolos não eram feridos com a sociedade ou com os líderes sinedráticos. Eles eram apenas convictos sobre o propósito divino. O modelo das atitudes deles vinha de Jesus. Eles não usavam os nomes deles, eles usavam o Nome de JESUS. Eles não carregavam o Nome de Jerusalém, eles não carregavam nenhum outro nome, mas carregavam consigo o nome de Jesus. Eles confiavam apenas na Autoridade do Nome em Jesus. Eles respiravam e exalavam o cheiro de Jesus. Os interesses deles era por Jesus. Quando eles falavam o povo via Jesus neles. Eles eram como Jesus. Definitivamente, eles não estavam preocupados em expandir um clube de fãs, eles não estavam preocupados em promover a eles mesmos, mas a única preocupação dos apóstolos era promover o nome de Jesus e o reino Dele e de seu Pai.
O dom recebido de Deus não foi negligenciado por eles. Eles não fizeram renovação de dons, nem reencontro, nem escola disso ou daquilo, nem outro discipulado qualquer. Eles andavam com o Espírito Santo e o Espírito Santo era com eles. Os dons acompanham o vocacionado em qualquer lugar e tempo que ele estiver. É possível confirmar isso até nas prisões em que Paulo passou. Nada parou o evangelista, nem mesmo as grades físicas. Aliás, foi na prisão, nas dores, nos açoites e no peso, isso mesmo na carga física e emocional que mais o ministério dos apóstolos cresceram. Esse esforço não era para alcançar a graça de novo, pois a graça não pode ser alcançada por ninguém, ela nos alcança.
Os esforços deles era compensado por uma aliança de compromisso e responsabilidade com o Cristo que prometeu estar com eles todos os dias, até o fim dos séculos. Eles não duvidaram da promessa de Jesus. Reflita: Vc duvida do que Jesus disse? Pois é, eles não duvidaram. Jesus disse: "Ide aos povos e eu estarei com vocês" e, eles creram! Foram amordaçados, mas não se calaram. Foram presos, mas as suas palavras fugiram das prisões. As cartas de Paulo foram escritas na prisão e chegaram em quase o mundo inteiro. O apóstolo conseguiu expandir o evangelho, dedicando-se inteiramente ao evangelho do reino. Ele combateu o bom combate, completou a carreira e guardou a fé (2Tim 4:7). Não conseguiram calar o apóstolo tagarela (Atos 17:18).
Esqueçam poltronas confortáveis reservadas na frente das filas! Esqueçam, crachás, posições sociais romanas, gregas, sinédricas ou evangélicas. Os apóstolos esqueceram-se disso tudo para combater o bom combate da fé. O reino de Deus é ganho por esforço (Lc. 16:16). Mas, aqui deixo uma reflexão: em qual evangelho você está se dedicando mesmo?
Sobre o evangelho, os discípulos estudaram com Jesus e somente falaram de Jesus, por causa de Jesus. Jesus falou para eles nem perderem tempo com assuntos secundários. Nenhum discipulado sobre o evangelho pode ser diferente do evangelho. Nada no evangelho pode vir de particular elucidação. Nem se anjos vierem do céu pregando outro evangelho que não seja o de Jesus, não o receba.
As coisas espirituais acontecem de forma espiritual e não dependem de um sistema hierarquicamente racional, não dependem de um um único modo, hora ou de um lugar específico para se manifestarem de forma modelada pelo padrão humano. As coisas espirituais se discernem espiritualmente. O mundo espiritual é mais real do que o mundo físico. Os apóstolos, eram também profetas e evangelistas e pastores e mestres. Apesar de que inicialmente eles se reuniam na parte externa do templo, eles estavam preocupados com os novos discípulos de Jesus e não com as estruturas e ferramentas. Eles não estavam preocupados com os utensílios, e nem com as rotinas desabilitadas do templo judaico. Eles estavam preocupados com a proclamação do reino de Deus e o aperfeiçoamento da igreja no reino eterno, através da ação do Espírito Santo, atuando eles todos em nome de Jesus.
Eles haviam entendido o evangelho e o Espírito Santo era com eles por onde quer que andassem sem microfones e púlpitos. Ao contrário do que pregam uma veia do cristianismo judaizante, os apóstolos não iam às sinagogas para cumprir uma rotina judaica, mas eles iam às sinagogas para pregar o evangelho. Eles aprenderam isso com Cristo. Os discípulos eram como "púlpitos ambulantes". E aqui, vai outra reflexão: quem é vc sem microfones nas mãos?
Apesar de que não somos mais a igreja primitiva aqui no Brasil, continentes como Oceania, África, Ásia exigem que o modelo de ação e atuação da igreja seja ainda muito semelhante ao "desbravamento" dos primeiros apóstolos naquele modelo de fé. Enquanto na América, a igreja evangeliza os evangélicos, em outros continentes a igreja precisa desbravar e abrir caminhos para alcançar os não cristãos com a luz de um ensino bíblico absolutamente desconhecido de alguns povos. E isso não tem nada a ver com judaísmo, romanismo, cristianismo ou com outros "ismos" do mundo religioso que criamos. Isso tem a ver com a criação, o Criador e o Seu Reino de amor e de justiça.
Jesus virá! A igreja do tempo do fim, não pode esquecer de viver e de pregar sobre o mesmo evangelho vivido pela igreja primitiva. O evangelho da Bíblia.
Até uma próxima.
Cláudio Santos







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